Depoimentos

Mardel Faria

Eng Civil - UFOP

Omã

7 meses

Porque Omã?

Bom, pra começar muita gente me pergunta por que ter escolhido um país tão exótico. Intencional ou acidentalmente? Os dois. Considerando o fato de Omã ser um país onde além do árabe a maioria das pessoas fala inglês, conhecer de perto uma cultura extremamente diferente da nossa (que antes só tinha pré-conceitos criados através de novelas da Globo), isso foi intencional.  Já o fato de ter sido a primeira vaga para a qual fui selecionado, isso foi acidente. Mas foi um acidente tão surpreendente e agradável, que este relato pode se tornar um pouco grande...

Clima

Logo que desembarquei no aeroporto da capital Muscat, por volta de 3 da manhã do dia 28 de junho, senti um calor “diferente”, mas pensei ser da turbina do avião. Então fomos levados para a área de desembarque e muito distante da turbina do avião fazia o mesmo calor “diferente”. Era o início do verão, e quando é verão no Oriente Médio lê-se 42 graus à meia noite e 55 ao meio dia. Sem exageros. A sensação é de estar cozinhando dentro de um forno. Quando bate um vento é como quando você abre a porta de um forno quente... Por isso tem ar condicionado em todo lugar, no banheiro, na cozinha, em cidades vizinhas como Dubai existe até ponto de ônibus climatizado!

Cultura Árabe

Saindo do aeroporto um taxista vestido com sua tradicional burca sem falar uma palavra em inglês nos levou (eu e um espanhol) para o apartamento onde iríamos passar os próximos dois meses. Quando fomos “despachados” no prédio, sem entender muita coisa começamos a ouvir um som esquisito que vinha do lado de fora. O som era muito alto, uma espécie de comício. Dormi um pouco assustado e quando amanheceu vi que o apartamento ficava ao lado de uma das milhões de mesquitas que tem no país. Foi quando me disseram que 5 vezes ao dia uma pessoa vai convocar o povo pra rezar no microfone da mesquita. Todas as mesquitas têm potentes alto falantes em suas torres que permitem que o som seja escutado a centenas de metros de distância. Até você chegar em alguma outra mesquita.

É verdade que as mulheres não podem ser tocadas, não se pode nem sentar ao lado delas num ônibus, por exemplo, é falta de respeito. Tudo é separado para as mulheres, tudo mesmo. Desde laboratórios de computação na universidade, escolas femininas para crianças, até sala fechada pra cortar o cabelo. É verdade que bebida alcoólica é proibida, se pegarem alguém bebendo em locais públicos o sujeito vai passar uns 2 dias na cadeia, e que o fim de semana é quinta e sexta-feira. É verdade também que eles comem com a mão, que vaso sanitário é no chão e que o povo idolatra o Sultão.

Ramadã

Durante 30 dias a partir da nona lua nova do calendário islâmico, 13 de agosto, auge do verão, começaram as celebrações do período do Ramadã. Para os muçulmanos isso representa um tempo de bênção, jejum e caridade. Nesse tempo de abdicações o povo só se alimenta quando o sol não está exposto. Mascar um chiclete, ou tomar um gole d’água? Esquece. Vale também para relações sexuais. Apesar disso, é um tempo onde o povo vive em grande harmonia, promovem o bem ao próximo, você não vê ninguém trocando ofensas e nem falando palavrão, acordam 4 da manhã pra tomar café todos os dias e fortalecem os laços familiares. Em respeito à cultura, estrangeiros não têm refeições em público, o que foi um tanto quanto complicado no início ter que ir ao banheiro toda hora pra beber água! Quando o sol se põe, ocorre o Iftar, que é o desjejum. Tive oportunidade de participar de um Iftar, que é um verdadeiro banquete!

Os estágios

Nos primeiros dois meses o meu trabalho era ajudar um palestino nos ensaios pra pesquisa de sua tese de mestrado. Isso aconteceu na Universidade Sultan Qaboos, e foi bastante interessante poder vivenciar o dia a dia numa universidade Omani. Esse trabalho contemplou a vaga para a qual fui selecionado.

Mas o melhor de tudo nesse intercâmbio, eu digo “a cereja do bolo”, foi o outro estágio que tive uma oportunidade ímpar e a sorte de conseguir. Um projeto de implantação de uma usina de pelotização e um porto de uma empresa muito conhecida por todos nós brasileiros, a VALE. Como estudante de Engenharia Civil, participar de um projeto de tamanha complexidade e poder trocar experiência com Japoneses, Chineses, Indianos e Europeus foi algo sensacional.

Enfim, serei eternamente agradecido ao trabalho de todos os funcionários das equipes da ABIPE e IAESTE. Mesmo sem nunca ter conversado pessoalmente com essas pessoas, elas me proporcionaram ganhar um mundo de experiência nesses 7 meses no Oriente Médio e conseqüentemente mudaram o rumo da minha vida. Sem o trabalho de vocês certamente nada disso teria acontecido.

A todos os funcionários, o meu muito obrigado.

Insh’allah!

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