Depoimentos

Felipe Furini

Administração - Mackenzie

Alemanha, Argentina e Colômbia

2005 a 2009

"Para falar sobre a IAESTE, tenho que mencionar muitos anos de minha vida."

Nascido em meio à intensificação dos processos de globalizações, sempre fui alertado sobre a importância de acompanhar tais fluxos, razão pela qual desde o colégio estudava inglês e recebia “pressões” para realizar intercâmbios, seja por conta do colégio, universidade ou por conta do mercado de trabalho.

Durante a universidade, já tendo certo domínio de inglês, comecei a me despertar para a idéia de realizar imersão em outras culturas, além de ir em busca de maior fluência em idiomas estrangeiros.

Ao começar a buscar por oportunidades e programas que me permitissem romper fronteiras sempre me deparava com programas do tipo all inclued, no qual de maneira muito cômoda uma pessoa vai para melhorar um idioma estrangeiro e vive com outros estudantes ou com famílias nativas; outro programa que sempre encontrava era os do tipo work and travel, que já eram mais acessíveis para meu orçamento, porém implicava em ter uma jornada de trabalho intensa com certos trabalhos que em tal momento da vida eu não queria realizar.

Foi aí que, visitando um feria de intercâmbio, conheci a IAESTE, com seu programa de estágios remunerados no exterior. O programa parecia ser interessante, mas como desconfiado que sou, passei a investigar e conversar com pessoas que já haviam se incorporado ao programa, tanto no Brasil como no exterior. Depois de certo tempo, realmente me parecia que a IAESTE tinha o programa que poderia me oferecer o que estava buscando: experiência no exterior em países que chamavam minha atenção, oportunidade de aplicar meus conhecimentos acadêmicos e, ser parte de organização que congrega pessoas em prol de uma cultura de paz.

Desta forma, me vinculei ao programa em 2005, quando passei a participar dos encontros sociais e quando me perguntaram se receberia um estrangeiro para viver em minha casa. Como estava empolgado e me preparando para realizar minha primeira experiência fora do país, aceitei o tal gringo. A experiência realmente foi muito interessante para toda a família, não pensava que o simples fato de receber alguém de fora, pudesse trazer tanta diversão, partilha e estabelecimento de vínculos.

Pois bem, o ano de 2006 começou e com isso ia terminando minha universidade, já estava empregado, porém a idéia de romper fronteiras sempre rondava minha mente. Foi aí que recebi as vagas de estágio no exterior, me lembro como se fosse hoje, eram vagas muito interessantes, tanto na Europa como Ásia. Por conta das minhas escolhas e frente ao número de pontos que tinha, meu destino seria Alemanha.

Alemanha, quem diria!? Além de ir para uma temporada de três meses, teria a oportunidade de acompanhar a Copa de perto! Nem preciso dizer, que a experiência foi super enriquecedora, tanto profissional como pessoalmente. Trabalhei em uma empresa privada que fazia a impressão das notas euros e também confeccionava passaportes eletrônicos de diversos países. Meu trabalho esteve enfocado em uma pesquisa de mercado para América Latina e Caribe.

O dia de voltar chegou e com o vôo a sensação de vencer mais uma etapa. Embarquei, com minha memória cheia de lembranças para levar por toda minha vida, amigos de cinco continentes, viagens por cinco países, experiência profissional que seria um diferencial e vida vivida.

Ao chegar ao Brasil, começou o desafio de buscar trabalho, acredito que o tempo fora, por mais que tenha sido pouco, me ajudou a refletir sobre os próximos passos a serem dados. Estava certo, queria voltar e me dedicar ao trabalho com ONGs desde minha área de formação.

Comecei a trabalhar no que acreditava e naquilo que me dava satisfação, junto com um movimento de educação popular, desde trabalhos em cooperação internacional com centros educativos de diversas partes do Brasil. No entanto, o envolvimento com a IAESTE, continuava, estava quase sempre presente nos encontros sociais de São Paulo. Depois de certo tempo de trabalho, necessitava dominar o espanhol, foi aí que em 2008 me inscrevi para mais um estágio com a IAESTE, desta vez com destino à Argentina.

Como se tratava de um estágio durante minhas férias, embarquei para dois meses em um estágio na Universidad Nacional del Litoral, universidade pública argentina localizada na capital Santa Fé. O trabalho se tratava de uma pesquisa sobre criação de uma rede de ex-alunos que na época estivessem no exterior. De volta ao meu trabalho no Brasil, realmente percebi que a experiência havia auxiliado em muito no domínio do idioma, assim que muitas conquistas em meu trabalho, atrelo à realização do estágio na Argentina.

Depois de mais um tempo de trabalho, passo a sentir a necessidade de me integrar com o campo social, deixando de lado um pouco a gestão de projetos sociais. Nesta busca, volto a ver na IAESTE uma oportunidade de desenvolvimento, desta vez por meio de uma vaga de trabalho em um Centro de Educação para o Desenvolvimento, unidade de uma universidade colombiana que se tinha linhas de trabalho junto a com comunidades vulneráveis nas periferias de Bogotá.

Em nesse contexto, embarco para Bogotá em 2009, para uma experiência como professor visitante de uma universidade. Tal experiência ocorre logo depois do término de minha especialização no Brasil. O contato com comunidades me fez refletir muito sobre meu trabalho desde a gestão de projetos, onde me ajudou a perceber que as comunidades possuem seu tempo, seu modo de operacionalizar as coisas e acima de tudo, respeitar e acreditar que as comunidades possuem as respostas para o modelo de desenvolvimento que necessitam.

O fato de estar na Colômbia por meio da IAESTE, me permitiu criar um network acadêmico muito interessante, que acabou auxiliando na continuidade de meus estudos. Em janeiro de 2010, volto à Colômbia na categoria de bolsista do ICETEX / Governo Colombiano para realizar meu mestrado na Universidad de Los Andes, que é a universidade de maior prestígio nacional e de grande reconhecimento internacional.

Só tenho que agradecer à IAESTE pelos anos de caminhada, pelas oportunidades desenvolvimento profissional, acadêmico e pessoal.

Por: Felipe Furini Soares – junho 2010

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